terça-feira, 1 de julho de 2014

Amálgama

Cachoeira de cabelos negros
Olhar impávido como um lago calmo
Sei agora de momentos que passam
Sei tambem de futuras certezas.
De pele clara como as pétalas da flor de mandacarú
Caindo, caindo, caindo...
na palma da minha mão.

Meu olhar é como a amálgama
Que protege a armadura das idéias
Nem as espadas da saudade perfuram.
Caindo, caindo, caindo...
despido dessa ilusão.

...

E eu fico aqui
Com as lembranças
Que vem dos quereres
Da pele das luzes brancas
Que refletiam nos espelhos
Que cobrem tua retina.

Devaneios de caminhos
Distâncias maduras
Que um dia findarão.
São dois rios pintados
De carmim
São noites de lua
Bem clarinha como o branco
Da tua pele.

É o mistério desse olhar
É o definhar das palavras
Curiosas vivendo nas restingas
Desse calmo horizonte.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mais uma noite

De sabores te possuo
de calores te seduzo
e quando tenho tuas mãos
penso na luz que logo virá
cegando, despindo
toda nudez mentirosa.

E agora
deságua minha mente
no prazer dos seus toques
indecentes e culpados.
Toda incerteza das horas
que passam longas
e surdas
para não ouvirem o dia gritar
raivoso e brilhante
surpreendendo nossos corpos nus.

Fumaça
causando miragens
ilusões de corpos suados
calor que some dos poros
conquista o mormaço
das paredes do quarto
e eu aqui, poeta
denunciando meu gozo
perdido de carinhos.

Apenas penso
mais uma vez
nas marcas de mais uma noite
nos arranhões coloridos
nas manchas rosas
espinhos de mais uma noite
carícias de mais uma
ou duas dúvidas
de mais uma noite.

Soneto do sexo

Minhas mãos tocando
teus seios de gosto sereno
minha boca beijando afobada
todo seu corpo
te deixando arrepiada
ao toque delicado da minha língua
provando o gosto do teu sexo molhado.

Vejo tua face mudar
ao te penetrar com vigor
explodindo minha força de macho
em teu sexo deflorado,
tuas mãos tocando meu corpo
parecem pedir ajuda
uma vontade de gozo
que só virá ao meu toque
ao meu beijar, ao firme penetrar.

Ao te beijar
sentirei teus lábios tremerem
percebendo o momento da espera
e de ancas macias
te coloco em posição de entrega
e vejo todo seu corpo gritar
um grito de prazer
que em meus ouvidos
surgem como um sinal
de entrega total.

 Assim se esvai o gozo
saindo como se fosse
a própria alma indo embora
encontro de duas almas
encontro de dois gozos
quentes, suados.

Então assim
vejo a mulher dos meus sonhos
totalmente entregue
num momento de moleza
suada, quente e sempre minha
minha fêmea
minha...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Chuva de destino

Chuva que está pesando
não é chuvinha de espalhar areia não
é chuva de marcar caminho
é chuva de afrontar os fortes
é chuva de fazer barulho.

Pele que molha
fica brilhando linda
essa chuva transporta meus sonhos
tira o sal dos desamores
lava meus fantasmas.

Penso logo
será que ela, a chuva
me levará
ou talvez me lavará
com desamores matinais
e boca com gosto de amanhecer.

Que me venha o destino
longe, perto, desconhecido
mas que venha
o louco, o torto, o desnudo
destino.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Risos noturnos

Os paraprofetas estão a cantar
inebriados na fumaça do cigarro
aguardando na areia da praia
os momentos lúcidos
desmontados numa agonia inérte.

Acordes que buscam
o encontro das palavras
parafernália de indecisoes
nos devaneios dos tolos
ingratos sentimentos.

Mas nesses acordes
de sete notas musicais
caídas e rimadas
nesse jogo de palavras
vivemos a buscar
as mesmas músicas
que vivem em nossa memória
em nossas bocas
em nossas rimas
curvas, retas e viris.

Encosto nessas vozes
que unidas buscam
a ilusão
a perfeição
de idas e vindas
nesse trecho do caminho.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Paisagem do caminho

Olhar de faca
sorriso de virgem
adentra nessa carne
como punhal de fogo e brasa
como toque de vento e chuva

Paisagem de tardes amarelas
curvas de estradas frias
acabam em uma única página
que se amassa em minha mão suada.
Meus devaneios já passaram
em chuvas pesadas, em ventos gélidos
que fazem doer na carne
encharcada de sangue.

Temerás o teu destino
como quem temerás o dia de amanhã?
Não, o temor é esquálido
o medo é banal
só o caminhar é válido
caminhar em frente
em toda reta que puder seguir.